

Blog do curso isolado de História e Geografia do CIS, composto pelos professores Luís Eduardo Suassuna(Kokinho), Adailton Figueiredo, Henrique Lucena, João Carlos Rocha, Mariano Azevedo e Wellington Albano (História); Agenor Pichini, Elmar Anselmo, Bosco Oliveira e Sami Andrade (Geografia).
Moisés
Moisés é o maior personagem da história e da religião judaicas. Mas é também onipresente na iconografia cristã, pois o cristianismo se situa no prolongamento do judaísmo. De fato, a palavra mestra das duas religiões é "aliança": aliança de Deus com o povo eleito (judaísmo), aliança com a humanidade inteira (cristianismo). Ora, Moisés, libertador e legislador de Israel, foi quem proclamou solenemente, no alto do Sinai, a aliança de Yahweh com seu povo.
Conhecemos a história de Moisés, e a conhecemos apenas por quatro dos cinco primeiros livros da Bíblia. O grupo desses cinco livros chama-se Pentateuco. São estes, segundo a Bíblia, os fatos notáveis da existência extraordinária de Moisés: ele nasce numa família de hebreus que imigraram para o Egito. Aos olhos do faraó, parece que estes se multiplicam, então, de forma preocupante, e ele ordena que sejam mortos todos os meninos pequenos dos hebreus. Os pais de Moisés abandonam o recém-nascido em um cesto, no meio dos caniços do Nilo. A filha do faraó descobre-o e cria-o na corte. Mas, apesar de educado entre os egípcios, Moisés continua em contato com os membros de sua verdadeira família e se aflige ao ver as corvéias cada vez mais duras a que são submetidos os hebreus do Egito. Um dia, ele mata um vigilante egípcio que estava batendo num deles; depois, foge até a beira-mar, em frente à Península do Sinai, lugar dos pastores da região de Madiã. Casa-se com a filha do chefe destes, o sacerdote Jetro.
Sua vida muda ainda uma vez quando Yahweh se revela a ele na sarça ardente e lhe dá a missão de obter do faraó a permissão para que os hebreus do Egito voltem ao país de seus ancestrais, a terra de Canaã. Moisés obedece e procura o soberano, que recusa. Daí, uma prova de força e o envio de dez calamidades sucessivas sobre o Egito: a água do Nilo transformada em sangue, a invasão das rãs e, depois, dos mosquitos, a peste bovina, uma epidemia de furúnculos e abscessos, granizos, nuvens de gafanhotos, um vento carregado de poeira, trevas em pleno dia e, por fim, a morte dos primogênitos dos egípcios e do gado. Deixando de resistir, o faraó permite que os hebreus partam. Essa partida será depois comemorada pelos judeus, todos os anos, sob o nome de Páscoa, que significa "passagem". O faraó logo se arrepende da decisão e manda seu exército perseguir os emigrantes. Mas os hebreus atravessam milagrosamente o mar Vermelho a pé enxuto, porque um forte vento retivera as águas antes que passassem. Seus perseguidores, e principalmente as carruagens e os cavalos, afundam no solo mole. A água volta e todos se afogam.
Como para voltar a Canaã era preciso evitar a estrada do Norte, por onde passavam as caravanas, controlada pelos egípcios, Moisés conduziu os hebreus por um desvio: o itinerário do Sul e, portanto, pelo deserto do Sinai. Essa caminhada extenuante no deserto teria durado quarenta anos - ou seja: o tempo para que morresse a geração que sentiu deixar a abundância do Egito e que crescesse outra que fora formada na rude escola do deserto. Porque os hebreus lamentaram várias vezes perder o vale fértil do Nilo, e Moisés teve dificuldade para conduzir aquele povo de “dura cerviz”, como o chamava Yahweh. Eles eram ameaçados pelas tribos inimigas e por animais selvagens – serpentes e escorpiões. O alimento era raro. Foi para salvá-las da fome que Deus lhes enviou o “maná”, descrito como uma farinha granulosa depositada no solo todas as manhãs, como se fosse geada. O auge dessa caminhada, protegida pela nuvem de Deus, será a celebração da aliança entre Deus e Israel: sobre uma montanha, no maciço do Sinai, Yahweh fez então uma promessa a seu povo, e este jurou fidelidade a seu Deus. Depois, Moisés proclamou os dez mandamentos ensinados pelo Altíssimo.
Desde então, as Tábuas do Decálogo foram conservadas numa arca – a arca da aliança – que se deslocava com o povo. Apesar da aliança do Sinai, os israelitas, a caminho da Terra Prometida, recaíram por vezes no politeísmo que seguramente praticaram no Egito. Adoraram até um bezerro de ouro: daí a cólera de Moisés, que quebrou as Tábuas da Lei (que foi necessário refazer) e fez matar, a espada, três mil culpados. Assim mesmo, conseguiu abrandar a cólera de Yahweh. Os judeus, após sua longa caminhada, chegaram à margem oriental do Jordão. E foi no cimo do monte Nebo, situado a leste desse rio e de Jericó, que Moisés morreu diante da Terra Prometida.
Os cinco livros do Pentateuco, que os judeus chamam Torah, foram redigidos a partir do século X a.C. São, pois, claramente posteriores a Moisés, ele próprio contemporâneo de Ramsés II (12901224 a.C.). Os relatos concernentes a ele e os relativos à “Procissão” de Israel rumo à Terra Prometida certamente foram ampliados e enfeitados. A história da criança num berço, no Nilo, lembra o que se contava de Sargão, conquistador mesopotâmico, no século XXV a.C. O episódio da travessia do mar Vermelho deve, sem dúvida, ser reduzido a um forte movimento das águas nos lagos situados ao norte dele, mas já sujeitos à maré. As pragas do Egito certamente foram aumentadas. Por fim, os hebreus que fugiam do país do faraó deviam ser apenas alguns milhares.
Mas Moisés é realmente um nome egípcio: o que é uma espécie de autenticação. É certo, por outro lado, que Ramsés fortificou a parte oriental do delta do Nilo, para protegê-la contra invasores vindos da Ásia Menor. Daí o emprego de uma mão-de-obra forçada: a dos hebreus estabelecidos há algumas centenas de anos na parte nordeste do país. Enfim, de modo geral, hoje os especialistas tendem a não menosprezar a história oral que precede a história escrita. Foi possível verificar, em vários casos, que ela não é constituída apenas de um encadeamento de lendas.
Com certeza aquele que a Bíblia chama Moisés foi o criador da identidade judaica, o legislador desse povo que de fato constituiu, o primeiro de seus profetas e o fundador em escala mundial da primeira religião monoteísta. No Decálogo, seis mandamentos pertencem à moral universal (“Não matarás... Não tomarás o bem do teu próximo” etc.). Mas os quatro primeiros eram totalmente novos: “Não terás outros deuses além de mim... Não farás ídolos... Não pronunciarás em vão o nome de teu Deus... Farás do shabbat um memorial sagrado”. A força e a novidade desses mandamentos explicam por que Moisés se tomou um gigante da história religiosa. Privilégio extraordinário: "Yahweh", diz a Bíblia, "falava a Moisés face a face, como a um amigo".
(Unicamp) "Nas leis da Nova Inglaterra encontramos o germe e o desenvolvimento da independência local. Na América pode-se dizer que o município foi organizado antes da comarca, a comarca antes do estado e o estado antes da União".
(Alexis de Tocqueville)
a) Cite duas características da colonização da Nova Inglaterra.
b) A partir do texto, explique por que a Constituição dos Estados Unidos estabelece o sistema federativo.
No litoral do que viria a ser o Rio Grande do Norte, a presença francesa é anterior a qualquer tentativa efetiva de colonização. A maior parte dos historiadores concorda que, por volta do ano de 1516 – cerca de quinze anos depois do primeiro contato oficial dos portugueses com esta terra – navegadores daquele país europeu já negociavam com os nativos potiguares.
No contexto da expansão marítima, os franceses, retardatários na corrida, buscavam regiões sem colonização efetiva para poder explorar. O tratado de Tordesilhas, entre Portugal e Espanha, mesmo tendo a chancela do Papa Alexandre VI, não era respeitado pela monarquia francesa, que financiava corsários para estabelecer contatos comerciais com os nativos da América, bem como pilhar navios espanhóis e portugueses que levassem riquezas aos seus países.
Para a capitania do Rio Grande vieram corsários, flibusteiros e comerciantes que praticavam o escambo com os índios potiguares, principalmente na região do rio Potengi. Eram negociados vários produtos, tais como Pau-Brasil e outras madeiras, tabaco, animais e aves exóticas, a exemplo do papagaio. Sua relação amistosa com os nativos está muito ligada à falta de colonização efetiva do território, sem fundar cidade ou impor costumes europeus aos indígenas.
Ao observarmos a toponímia de Natal, percebemos que um dos primeiros acidentes geográficos batizados é o topônimo Rifoles, onde está instalada a Base Naval. Tal nome é uma referência direta ao corsário francês Jacques Riffault, que marcou sua presença na região do rio Potengi, negociando com os índios.
Esses contatos entre europeus e potiguares permitiram as primeiras miscigenações. Sérgio Buarque de Holanda, num de seus artigos na História da Geral da Civilização Brasileira, diz que “ali, como em tantos outros lugares da América, aventureiros da Normandia e da Bretanha andavam em íntima promiscuidade com os grupos indígenas estabelecidos na marinha ou mesmo no sertão”. Assim, a presença francesa, no início da colonização, chegava a ser tão forte que, auxiliados pelos índios, eles conseguiram rechaçar as tentativas de colonização lideradas pelos filhos de João de Barros durante o século XVI, chegando os herdeiros do donatário a escreverem um requerimento para o rei de Portugal, no qual se dizia que
“É necessário mandar povoar esta capitania antes que os franceses a povoem; os quais todos os anos vão a ela carregar [pau] brasil por ser o melhor de toda a costa. E fazem já casas de pedra em que estão em terra fazendo comércio com o gentio. E os anos passados tiveram nesta capitania dezessete naus de França a carga e são tantos os franceses que vêm ao resgate que até as raízes do pau-brasil levam porque tingem mais as raízes do pau que nascem nesta capitania. E agora tomaram os franceses aos potiguares três mil quintais de brasil que os portugueses tinham na praia feitos a sua custa para carregar. E antes que os franceses façam uma fortaleza que obrigue depois a muito, parece que será bom povoar-se por nós e com isso feito lhe não levarão este pau à França e ficará rendendo muito a Vossa Alteza”.
O documento acima faz menção a “casas de pedra” que os franceses teriam construído para efetuar comércio com os índios. O historiador Olavo Medeiros Filho acredita ser referência a uma suposta feitoria que seria utilizada pelos franceses, construída a três quilômetros da barra do rio Pirangi.
Essa impressionante presença testemunhada por Jerônimo e João de Barros Filho, explica a utilização da capitania como centro irradiador dos ataques franceses a outras regiões da colônia, como ocorrido em Cabedelo, em 1597, quando treze naus lutaram pela sua conquista. Além disso, tal presença permitiu certo conhecimento do território, com a elaboração de um mapa no qual se identifica o Rio Grande (1579), feito em Dieppe (França) pelo cartógrafo normando Jacques de Vaudeclaye. Nele podemos perceber a descrição dos acidentes geográficos, das tribos e dos prováveis produtos econômicos que poderiam ser encontrados. Esses aspectos mostram que os franceses tinham um domínio dessa faixa do território colonial, com conhecimentos maiores do que os portugueses.
Temerosos em perder o território para outro povo europeu, os lusitanos organizaram expedições para expulsar os franceses das regiões que, de acordo com o tratado de Tordesilhas, pertenciam a seu país. Suas investidas na capitania do Rio Grande, entretanto, só ocorreram durante o período da União Ibérica, quando, sem herdeiro à sucessão do trono, Portugal foi subjugado por Filipe II, da Espanha.
Assim, no final do século XVI, os colonos portugueses conseguiram sucesso na empreitada de colonizar e expulsar os franceses da região que hoje chamamos nordeste. No Rio Grande, há informações de que, no dia 25 de dezembro de 1597, os portugueses – provenientes, principalmente, de Pernambuco – iniciaram um ataque contra os franceses, situados no lado norte do rio Potengi. Poucos dias depois, eles iniciaram a construção do forte dos Santos Reis, que se tornaria o centro das suas ações.
Os historiadores chamam atenção à atuação do Frei Bernadino das Neves, conhecedor do idioma indígena, que conseguiu aliar os nativos aos portugueses, consolidando uma força militar suficiente para a capitulação francesa, que ocorreria em 1599. Após a “retomada” do Rio Grande, a capitania tornar-se-ia o local de onde partiriam expedições com o objetivo de derrotar a presença francesa – inclusive no Maranhão.
Para se responder a questão proposta é necessário conhecer outras formas de resistência à escravidão praticadas pelos africanos durante os períodos colonial e imperial. O aluno poderia expor aspectos como rebeliões, sabotagens, fugas, suicídios, infanticídios e os quilombos como importantes maneiras de resistir ao regime escravocrata.
Alcançar o conhecimento é não se contentar com o saber apreendido; é ter consciência que poderemos colaborar mais e melhor para um mundo mais justo e humano. E essa é a tarefa de todo verdadeiro estudante: Construir o ideal, contrariando, algumas vezes, o real.
Relacione outras formas de resistência do escravo africano, além do mencionado no texto.
Situado em local estratégico – uma vez que nosso litoral tornou-se local de reabastecimento de caravelas – o monumento comunicava aos navegantes europeus que se dirigiam para o sul da América o pertencimento daquela região a Portugal. O marco é considerado o registro colonial mais antigo do Brasil e atualmente se encontra no Forte dos Reis Magos.
A questão proposta foi esta:
(Unicamp) "Todo o poder vem de Deus. Os governantes, pois, agem como ministros de Deus e seus representantes na terra. Conseqüentemente, o trono real não é o trono de um homem, mas o trono do próprio Deus". (Jacques Bossuet, POLÍTICA TIRADA DAS PALAVRAS DA SAGRADA ESCRITURA, 1709)
"(...) que seja prefixada à Constituição uma declaração de que todo o poder é originalmente concedido ao povo e, conseqüentemente, emanou do povo". (Emenda Constitucional proposta por Madison em 8 de junho de 1789)
a) Explique a concepção de Estado em cada um dos textos.
Para responder as questões, o aluno deveria explicar as seguintes idéias:
a) O primeiro texto apresenta uma concepção de Estado Absolutista, o que pode ser percebido a partir do autor do trecho, o pensador Jacques Bossuet. O segundo, por sua vez, constrói a idéia de uma democracia liberal.
b) No texto de Jacques Bossuet existe o princípio de submissão do indivíduo ao Estado, representado por um Rei que tem poderes justificados pela religião. Já Madison compreende uma igualdade civil-jurídica entre as pessoas e o governo, princípio do pensamento político iluminista.