quarta-feira, 9 de julho de 2008

Últimos ingressos.

(foto Evaldo Gouveia)


Evento: Eles não usam black tie.
Data: 27.07.2008
Horário: das 14 as 18
Local: auditório do Neves

Evento: Eles não usam black tie.
Data:03.08.2008.
Horário: das 16 as 20
Local: auditório do Neves.

Vetibular 2009, Estamos juntos e certos da aprovação.



Do papel do historiador.



"O primeiro dever do historiador é não trair a verdade, não calar a verdade, não ser suspeito de parcialidades ou rancores".

(Cícero)

terça-feira, 8 de julho de 2008

Falou e disse! (Parte 01)

Padre Antônio Vieira foi um dos maiores nomes da literatura barroca em língua portuguesa. Seus conhecidos sermões já foram lidos por milhares de admiradores da boa escrita e continuam a ser lembrados como grande obra.

Vieira também foi autor de frases que provocam reflexões e inquietações, mesmo retiradas de seu contexto original. É o caso da seguinte, sobre o livro:

O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive, e não tendo ação em si mesmo, move os ânimos e causa grandes efeitos”. (Padre Antônio Vieira)

É preciso dizer mais? Padre Vieira falou e disse.

A fome no mundo


25 mil pessoas morrem de fome por dia no mundo, diz ONU


Todos os dias, cerca de 25 mil pessoas morrem no mundo em conseqüência da fome e da pobreza. Este é o número estimado pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO).
Segundo o informe anual do organismo, seis milhões de crianças menores de cinco anos morrem de fome todo ano. No período 1998-2000, estima-se que houve um total de 840 milhões de pessoas desnutridas, dos quais 799 milhões eram de países em desenvolvimento.
Jacques Diouf, diretor geral da FAO, afirmou que a comunidade internacional tem o objetivo de reduzir à metade a fome mundial até 2015. "Este ano, devemos informar que o progresso da fome foi freado".
Segundo o informe, "se continuarmos nesse ritmo, alcançaremos nosso objetivo com um atraso de pelo menos 100 anos". O texto responsabiliza a pobreza, os conflitos, a mudanças territoriais forçadas pela miséria e os rápidos níveis de crescimento populacional.
"Nos países mais afetados, um bebê recém nascido pode esperar viver em média apenas 38 anos com saúde, comparado com mais de 70 anos de máxima saúde nas nações ricas", destaca.
Para alcançar a meta, deve haver 24 milhões a menos de pessoas famintas a cada ano. Segundo Diouf, esse objetivo ainda poderia ser alcançado se existisse vontade política. A FAO também propõe uma inversão pública global de U$ 24 milhões para reiniciar uma campanha contra a fome.
A situação da América Latina e do Caribe é uma das piores, onde cerca de 54 milhões passam fome. As informações são do site www.vermelho.org.br.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Os conflitos contemporâneos, o nacionalismo e as lutas étnico-religiosas no mundo pós-Guerra Fria


As tentativas de construção de um mundo só sempre conduziram a conflitos, porque se tem buscado unificar e não unir”.
Milton Santos, Técnica, Espaço, Tempo.


Durante os 45 anos de guerra fria, as duas superpotências do mundo bipolar, EUA e URSS, exerceram influência direta ou indireta sobre quase todos os eventos de repercussão internacional, ocorridos nas mais diversas partes do mundo, o que fez com que muitos conflitos hoje vivenciados meio que passassem por um “congelamento”, pois o receio de se tornar um novo Vietnã – que foi invadido pelos EUA -, ou Afeganistão – invadido pela URSS - era evidente. Hoje em dia é possível afirmar que devido à interdependência econômica entre os países, e a existência de mecanismos supranacionais de negociação como a ONU – apesar de estar desmoralizada depois da guerra do Iraque -, a possibilidade de guerra entre os países do mundo desenvolvido parece ser cada vez menor.

Assiste-se, no entanto, na era pós-guerra fria, a um ressurgimento de movimentos nacionalistas que se julgava superados e uma multiplicação de conflitos localizados, especialmente em países periféricos e em alguns dos países que compunham o bloco socialista, pois foi no seu interior que se manifestou uma série de confrontos armados de cunho nacionalista que surpreenderam o mundo, pela violência que desencadearam.

Para melhor compreender cada um desses conflitos é preciso entender primeiro três conceitos base:

1) Nação – Nação é um conjunto de pessoas, ou povo, que têm as mesmas origens históricas, a mesma cultura e uma identidade em comum. Exemplo: As tribos indígenas brasileiras, Os curdos, etc.
2) Território – É uma parte do Espaço Geográfico delimitado por fronteiras e mantido através de relações de poder.
3) Estado – É o poder centralizado que comanda o Território e representa muitas vezes a nação.

A questão dos Bálcãs
Situado no centro da montanhosa península balcânica, o território da Iugoslávia reduziu-se a menos da metade de sua extensão com a independência de quatro de suas ex-repúblicas, nos anos 90, após o fim do bloco socialista que patrocinava o regime de domínio dos sérvios sobre as demais nações que compunham aquela região. Esse regime deu início a um longo conflito que se arrasta até os dias de hoje.
A oposição sérvia ao movimento separatista, sob a liderança de Milosevic, aliada aos antagonismos entre os grupos nacionais provoca a pior guerra civil da Europa contemporânea (1991 – 1995).

LESTE EUROPEU PÓS-GUERRA FRIA

Desde 1992, a Iugoslávia é formada apenas por Sérvia e Montenegro. Um acordo assinado em 2002 arquiva os planos separatistas de Montenegro, ao estabelecer uma nova união entre as duas repúblicas.

Kosovo
Permanece sob o controle internacional, embora pertença formalmente à Iugoslávia desde 1999 com o acordo de paz assinado. A administração da província está a cargo de uma missão da ONU, que tem a tarefa de reduzir a tensão entre sérvios e albaneses.

A resistência Chechena ao domínio russo
A Chechênia, uma das repúblicas russas de população muçulmana, declara independência em 1991, depois do colapso da URSS. As hostilidades aumentam em 1994, e tropas russas invadem o território, mas são derrotadas. Cerca de 100 mil pessoas morrem em dois anos de conflito, encerrado em 96 com um acordo de paz que adia a decisão sobre o status político da república. Chechenos, em agosto de 99, invadem o Daguestão, também muçulmana para formar um Estado islâmico. O presidente Putin apóia à coalizão antiterrorismo pós 11 de setembro e afirma que separatistas mantêm vínculos com os terroristas envolvidos nos ataques aos Estados Unidos.

Irlanda do Norte
Dominada há séculos pelo Reino Unido, a Irlanda do Norte, também chamada de Ulster, é palco de antigo conflito entre comunidade protestante (58%) e católica (42%) que vivem lado a lado. Enquanto os protestantes aprovam a união com a coroa britânica (unionistas), os católicos reivindicam a integração de Ulster à República da Irlanda – país de maioria católica. Nas eleições para o parlamento de Ulster os protestantes sempre obtêm maioria e excluem os católicos do governo. Em contrapartida o movimento dos católicos por direitos civis cresce em embates liderados pelo Ira, que também promove atentados terroristas nas Inglaterra. A violência do Ira e de grupos paramilitares protestantes debilita a economia e dificulta acordos de paz.

A questão Basca
Encravada entre o norte da Espanha e o sudoeste da França a região basca tem uma cultura própria, sobretudo a língua, euskara, e sustenta um movimento nacionalista desde o fim do século XIX. É um típico conflito de uma nação em busca do reconhecimento do seu Estado. A campanha pela independência cresce com a fundação, em 1959, da organização separatista pátria basca e liberdade (ETA). Com a constituição espanhola de 78, o país basco conquista alto grau de autonomia, apesar disso alguns remanescentes do ETA decidem continuar com a luta. Atentados atribuídos ao ETA matam mais de 800 pessoas desde 68 quando desencadeiam a luta armada.

O Apartheid
A partir de 1911, na África do Sul, a minoria dominante branca descendente dos ingleses, promulga uma série de leis que consolida seu poder sobre a população negra. A política de segregação racial do apartheid (separação em africâner) é oficializada em 1948. Algumas medidas do apartheid:

1) Impede o acesso dos negros à propriedade da terra e a participação política;
2) Obriga-os a viver em zonas residenciais segregadas;
3) Torna ilegais casamentos e relações sexuais inter-raciais;
4) Torna Obrigatório o uso, por parte dos negros, do “Passbook”, uma espécie de passaporte para que os mesmos pudessem circular livremente pelo país.

A oposição ao apartheid toma forma na década de 50 seu líder, Nélson Mandela, é preso em 62 e condenado à prisão perpétua. Em 1990, Mandela é libertado e em 1994 eleito presidente da África do Sul nas primeiras eleições multirraciais da história do país, consolidando o fim do apartheid.

As FARC e o Plano Colômbia
Ex – combatentes liberais criam em 1965 as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), que é subsidiada principalmente pelo tráfico de cocaína. Estima-se que essa região produza mais da metade da cocaína consumida no mundo. Outras guerrilhas de esquerda, como o exército de libertação nacional (ELN) e o movimento revolucionário 19 de Abril (M – 19), são fundadas nos anos seguintes, e a guerra civil avança no país. Em 98, com plano centrado na pacificação do país, o governo tenta sem sucesso negociar com as guerrilhas.
Na visão de Washington e do governo colombiano, a eliminação do plantio de coca é crucial para a pacificação do país. O plano Colômbia tem por objetivo oficial acabar com a produção de droga no país e conta com a ajuda logística dos EUA, no entanto, é preciso observar bem de perto esse caso, pois ele se passa na Amazônia, e é fato conhecido que os EUA têm interesse especial nessa região. Até agora os resultados tem sido insatisfatórios, pois de acordo com dados da CIA o cultivo da coca cresceu 24,7% em 2001.

O MUNDO ISLÂMICO

O islamismo é a religião que mais cresce atualmente, há mais de 1,3 bilhão de muçulmanos no mundo. A maior concentração está na Ásia e na África, embora tenha se expandido muito na Europa Oriental.

Distribuição da População Muçulmana no mundo.

De um lado, o terrorismo radical elegeu os Estados Unidos como a representação de todo o mau que existe no mundo ocidental, do outro, o islamismo prega o respeito por outras crenças, e se auto proclama a religião da paz.

O Oriente Médio caracteriza-se por sua posição geográfica estratégica como fornecedor de petróleo para um grande número de países poderosos, pelo quebra-cabeça político representado pela convivência difícil entre o Estado Judaico, seus vizinhos árabes e a população palestina, que reivindica a criação de um Estado Nacional próprio, e pelas diferenças culturais entre ocidente e oriente. O Oriente Médio constitui-se ainda no principal foco de tensões mundiais, mesmo no período pós-guerra fria.

A questão da Palestina
A Palestina, uma estreita faixa de terra desértica, que se estende ao longo do mediterrâneo, entre o Líbano e o Egito, tem sido objeto, há mais de 50 anos, de uma violenta disputa que envolve israelenses e palestinos.

O Estado de Israel foi criado em 1948, pela ONU, oficialmente para abrigar o povo judeu que estava espalhado pelo mundo, no entanto, a ONU foi coagida pelos EUA para a formação do Estado de Israel, pois era importante para os planos geopolíticos estadunidenses dominar aquele ponto estratégico localizado “na porta do Oriente, ao norte da África, abaixo da Europa e de frente para o Mediterrâneo”. O que é lamentável, é que a ONU desconsiderou a existência do povo palestino, e uniu no mesmo país dois povos historicamente irmãos e inimigos. Desde então é um sonho para o mundo islâmico a retomada dessa área e a formação de um Estado Palestino.

A questão da Caxemira
Situada na cordilheira do Himalaia, a Caxemira é o pivô de uma disputa envolvendo Índia e Paquistão desde a independência. Em 1947, logo após a divisão, a Índia e o Paquistão entram em guerra pelo controle da Caxemira, conflitos que se encerra no ano seguinte com a primeira divisão da Caxemira entre os dois países. A hostilidade indiano–paquistanesa se enquadra na guerra fria – a Índia tem apoio soviético, e o Paquistão respaldo estadunidense.

A questão dos Curdos
Maior etnia sem Estado do mundo, os curdos habitam uma vasta região de 500 mil quilômetros quadrados, que extrapolam as fronteiras da Turquia, da Armênia, do Azerbaijão, do Irã, e do Iraque. São majoritariamente muçulmanos sunitas e falam o idioma curdo. A partir dos meados do século XX ocorrem rebeliões na Turquia e no Iraque e surge o projeto de um Estado curdo na região (o Curdistão). Os governos reprimem com violência os separatistas


A DOUTRINA BUSH

Os desdobramentos dos atentados de 11 de setembro de 2001 continuam em 2003. Graças ao prestígio adquirido na ocasião, Bush escapa ao desgaste provocado pelos escândalos contábeis das grandes corporações e o desaquecimento da economia norte-americana, colocando seu conflito contra o Iraque no centro da agenda internacional e empurra o Partido Republicano à vitória nas eleições legislativas de novembro. A vitória tornou-se mais fácil com a chamada Doutrina Bush. A anunciada em setembro, essa doutrina é considerada agressiva. Por ela os EUA se arrogam o direito de agir preventivamente, atacando potenciais adversários e agir sem o aval da ONU. Depois de derrubar o regime Taliban, no Afeganistão, o governo Bush elege o Iraque côo alvo principal de sua cruzada contra o terror.

O Ataque estadunidense ao Iraque
O Iraque é um país rico em petróleo, não possui saída para o mar, e foi governado pela ditadura violenta de Saddam Hussein, figura entre os países acusados de abrigar terroristas islâmicos, e esteve envolvido no início da década de 90 com a invasão do Kuwait. Nesse ano o Iraque foi vítima de vários ataques provindos da aliança EUA – Inglaterra, liderada por Bush e Blair. Os mesmos usaram como justificativa ao ataque a posse de armas químicas de destruição em massa por parte do Iraque, de acordo com suas justificativas, os EUA e a Grã-Bretanha estavam agindo preventivamente, devido os ataques terroristas ocorridos ultimamente.
O ataque ao Iraque, portanto, faz parte de um plano de ações geoestratégicas chamado de “guerra contra o terror”, onde os EUA acham que com esse pretexto têm o direito de atacar qualquer país do mundo, inclusive, sem o aval da ONU, que notadamente enfraqueceu-se após esse episódio.


A Guerra do Golfo
A tentativa de anexar o Kuwait resulta em um ataque de uma coalizão de países liderados pelos EUA, em janeiro e fevereiro de 1991. Após a libertação do Kuwait, o Conselho de Segurança da ONU requisitou ao Iraque que se desfizesse de todos os armamentos de destruição em massa e mísseis de longo alcance e que permita inspeções por parte da ONU. Sanções comerciais da ONU continuavam vigorando devido ao cumprimento incompleto do Iraque de resoluções relevantes da organização.

A Coréia do Norte
A península coreana voltou ser centro de atenção internacional (a guerra da Coréia ocorre em 1950-53), depois do Bush ter incluído a Coréia do Norte no chamado eixo do mal, ao lado do Iraque. Acusado de possuir armas nucleares, o regime de Pyonggyang passa a ser pressionado por Washington. Isso ocorre no momento em que o ditador Kim Jong II procura sair do isolamento, promovendo reformas econômicas e aproximando-se da Coréia do Sul e do Japão. Ao combater o regime norte-coreano, Bush dificulta o processo de reunificação do país sob a liderança sul-coreana. Cada vez mais prospera, a Coréia do Sul vem procurando escapar da tutela norte-americana e vislumbra na reunificação a possibilidade de se transformar em regional.
A luta do Bush contra o terrorismo fundamenta-se nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. Em 12 de outubro de 2002, duas bombas explodem na paradisíaca ilha de Bali, na Indonésia, com mais de 180 mortos, a maioria turistas australianos, as autoridades culpam grupos terroristas ligados a Al Qaeda, de Osama bin Laden.

O CONTEXTO LATINO

O caso da Venezuela
De um lado, o companheiro de Fidel Castro, perigo para a estabilidade da América Latina. De outro, um país imperialista com interesse nas riquezas do sul do continente americano. Desde 1998, com a subida de Hugo Chávez ao poder, críticas e acusações dominam a relação entre a Venezuela e os Estados Unidos. A divergência entre os dois países não se encontra apenas no campo do discurso. Interesses econômicos são importantes fatores que conduzem o rumo dessa relação.

Petróleo
As relações entre os países dependem de múltiplos interesses, entre eles, o econômico. No caso da Venezuela e dos EUA, estão envolvidos recursos naturais importantes, como o petróleo.
Desde os anos 20, o petróleo sustenta a Venezuela que, hoje, ocupa o quinto lugar na produção mundial do produto. Naquele tempo, a política refletia a situação econômica do país, com uma minoria branca e rica no poder e o restante da população vivendo à margem do sistema. Há 40 anos, dois partidos políticos revezavam-se no governo. Para as empresas estrangeiras, principalmente as do ramo petrolífero, vigorava a tranqüilidade nos negócios.
Nos anos 1990, esse sistema de revezamento político passou por problemas, esgotado pela corrupção. A Venezuela enfrentava as conseqüências das reformas neoliberais mal planejadas, além de variações no próprio preço do petróleo. Com isso, o país entrou numa forte crise política e econômica. Foi a oportunidade de Chávez para subir ao poder.

Presidente venezuelano e a economia
Hugo Chávez define-se como um representante das massas que iria implantar um sistema político-econômico próximo ao socialismo, um discurso que confronta a posição ideológica norte-americana.
Em termos econômicos, os EUA ainda são os principais parceiros nos negócios da Venezuela. Mas o cenário não anda tão previsível como antes. Em 2001, Chavéz ratificou medidas legislativas que, entre outras coisas, centralizavam o controle do petróleo para o governo. Recentemente, numa sessão plenária em praça pública, o congresso venezuela aprovou um pacote de medidas que conferem poderes especiais ao Presidente Chávez, dando-lhe “superpoderes” e conferindo-lhe a possibilidade de tomar medidas sem consultar ao congresso antes.
A preocupação com perdas econômicas motivou o golpe para derrubar Chávez, em 2002. A iniciativa fracassou e Hugo Chávez confirmou o apoio popular em um referendo nacional realizado em agosto de 2004 e em sua reeleição em 2006. O presidente venezuelano acusa os norte-americanos de participação no golpe, afirmação negada pelos EUA.

sábado, 5 de julho de 2008

Relaxando no fim de semana (Parte 01)


Nesta coluna semanal, faremos sugestões de filmes, livros, músicas e espetáculos artísticos para que vocês possam relaxar um pouco da grande maratona que é o vestibular.

Nossa primeira sugestão é o filme V de Vingança (V for Vendetta, EUA, 2006), dirigido pelos irmãos Wachowski (criadores da trilogia Matrix) e baseada nos quadrinhos de Alan Moore. Um excelente filme para quem gosta de ação e, ao mesmo tempo, pensar sobre o que o rodeia. A história começa numa Inglaterra de meados do século XXI, marcada por um regime totalitário conservador e religioso que ascendeu ao poder após uma série de catástrofes, guerras e pestes. Tomadas pelo medo, os ingleses aceitam a dominação e, silenciosamente, tornam-se seres submissos ao poder do alto chanceler Adam Sutler, até surgir um misterioso homem, usando uma máscara como um personagem teatral, que ataca o governo e destrói seus símbolos. V (Hugo Weaving), seu codinome, torna-se o “terrorista” mais perigoso da Inglaterra e todos aqueles que apoiassem suas idéias eram considerados traidores, como Evey Hammond, personagem interpretada por Natalie Portman.

Não irei contar a história inteira, mas lembrarei que, ao contrário do que alguns críticos disseram – principalmente os da mídia conservadora brasileira – o filme não é uma apologia ao terrorismo. As idéias do personagem principal assemelham-se às do Iluminismo, uma vez que convoca o povo para retirar do poder um governo que não o faz feliz. Num dos momentos altos da película, V diz que “o povo não deveria temer seu governo, mas o governo é que deveria temer seu povo”, uma clara alusão aos princípios de iluministas como John Locke e Jean-Jacques Rousseau. Se isso for apologia ao terror, a tomada da Bastilha, então, pode ser considerada o primeiro ato de terrorismo do mundo contemporâneo.

Além disso, ao descrever o Estado policial que se forma na Inglaterra, o filme lembra inúmeras passagens de pensadores absolutistas, como Maquiavel e seu indefectível “os fins justificam os meios”, bem como as armas utilizadas pelas ditaduras, tais como a manipulação das informações e da mídia, tortura e exterminação das pessoas “diferentes” da maioria da população, toques de recolher e a criação de uma atmosfera de medo para justificar o domínio: “quero que todos se lembrem por que precisam de nós”, diria o chanceler Sutler no momento da crise do seu governo.

Afinal, quantas vezes na história poderíamos descrever situações semelhantes? É só lembrarmos de Getúlio Vargas com o seu fajuto Plano Cohen, que enganou uma amedrontada população brasileira, utilizando-se da idéia de que os comunistas ascenderiam ao poder, matariam personalidades e tomariam as posses das pessoas. Aproveitando-se da situação, deu um golpe de Estado e evitou as eleições de 1938. E o AI-5 na ditadura militar? E as manipulações midiáticas que fizeram de Collor, um político sem expressão, o primeiro presidente eleito pelo voto direto após o governo Sarney?

Apesar de se passar numa Inglaterra futurista e do personagem principal ser um herói fantasioso, o filme nos traz uma mensagem interessante sobre política e poder, pois nunca devemos esquecer que o poder emana do povo, de nós.

Agora, bote a pipoca no microondas e bom proveito!

Assista ao trailer!


quinta-feira, 3 de julho de 2008

Charles Darwin 150 anos depois...

Nesta semana comemora-se o aniversário de 150 anos da primeira exposição pública da Teoria da Evolução das Espécies, do inglês Charles Darwin. Quando lançada, a teoria provocou uma série de desconfortos nos saberes da época, principalmente o religioso, uma vez que não aceitava o mito de Adão e Eva como responsável pelo surgimento do homem na Terra.

Inaugurava-se um tempo novo, no qual o homem não precisava mais do sobrenatural para explicar o funcionamento das coisas e que soluções complexas e empíricas substituíam as explicações simples da vontade divina. Anunciava-se um período em que Deus estava morto, como pensava Nietzsche. Afirmava-se, acima de tudo, uma nova ciência que – mesmo ainda sem conhecer a genética de Mendel – criava o maravilhoso mundo da seleção natural das espécies, lembrando ao homem que ele estava tão sujeito às transformações da natureza quanto um micróbio. Assim, deixávamos de ser criaturas eleitas, feitas perfeitamente à imagem e semelhança de Deus, para nos tornarmos animais que lutavam por sua preservação no mundo.

Obviamente suas teorias foram repensadas à luz dos novos conhecimentos e das modernas tecnologias que os séculos XX e XXI permitiram aos pesquisadores, o que solucionou os usos equivocados do pensamento darwiniano. No entanto, idéias como o darwinismo social deixaram rastros de preconceito que até hoje podem ser percebidos, embora não tenham mais seguidores pelo planeta.

Quando a teoria da evolução chegou ao Brasil, no final do século XIX, ela foi usada para justificar o racismo contra os negros e mestiços. Sob a égide das idéias de Herbert Spencer e de Félix Von Luschan, os intelectuais brasileiros justificaram a dominação da elite – predominantemente branca – sobre os negros, índios e mestiços a partir da idéia de que haveria uma diferenciação entre as raças e que, cientificamente, a branca seria predominante à negra e suas derivações de cores.


A escala cromática de Félix Von Luschan diferenciava as raças e sua "evolução".

Foi nesse período que a eugenia tornou-se uma “ciência” muito apreciada no Brasil, pois permitia uma “higiene” da raça, purificando a nação da “morbidez” trazida pelos africanos e nativos. A imigração de europeus, inclusive, além de ser fruto da necessidade de braços para a lavoura cafeeira, também fazia parte de uma estratégia governamental para “branquear” o Brasil. Muitos estudiosos acreditavam que o País só se tornaria uma potência mundial quando a população fosse totalmente branca.

O darwinismo social começou a ser desacreditado em terras brasileiras quando sociólogos como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda interpretaram a identidade nacional a partir do fenômeno da miscigenação. Ao invés de ser o pior que poderia ter acontecido ao povo brasileiro, para esses autores, ser mestiço o havia dotado de características importantes. Mesmo assim, os resquícios do “preconceito científico” permanecem no Brasil atual, como podemos testemunhar cotidianamente. É lamentável ter de responder num questionário a qual raça pertencemos. Branco? Negro? Amarelo? Somos brasileiros e todos pertencentes a apenas uma raça, a humana.

Embora tenha sido usada erroneamente para justificar dominações político-sociais, a teoria da evolução das espécies de Charles Darwin sobrevoa tudo isso e continua a ser a mais revolucionária idéia científica da humanidade. Fico feliz em viver num mundo que a conhece.

(João Carlos Rocha)

O mistério sagrado do capital.

Por Julian Gough*
A idéia da economia como sendo uma religião não é nova. Como apontou Max Weber, os primeiros protestantes viam o sucesso econômico como um sinal de Deus de que alguém era celestialmente eleito. Foi um pequeno passo passar disso a buscar o sucesso para assegurar a salvação. O capitalismo, como disse Walter Benjamin, pegou discretamente a Reforma Protestante e substituiu a religião por si mesmo: ele se tornou uma religião, a religião ocidental. Logo, quando o protestantismo chegou aos Estados Unidos, em sua forma mais pura, o capitalismo fez o mesmo: as Américas espanholas católicas nunca prosperaram economicamente, diferentemente da América do Norte anglo-saxã protestante.

Mas religiões evoluem, e os eventos recentes mostram que o capitalismo começou a evoluir menos como os tentilhões de Galápagos (cujos bicos se ajustaram ao longo de milênios para se adequar às bagas de sua ilha individual), e mais como o Incrível Hulk. O capitalismo Incrível Hulk pode expandir seus músculos de crédito tão rapidamente que suas roupas de ativos do mundo real não podem se expandir rápido o suficiente para contê-los. Expansão, explosão, colapso - o capitalismo Incrível Hulk cai, atordoado e encolhido de novo, nas trapos de seus ativos. Ou, retornando à nossa analogia religiosa, se o capitalismo fosse uma religião, ela agora seria um culto pseudocientífico prazerosamente demente.

O capitalismo Incrível Hulk está para o capitalismo de Adam Smith como a Cientologia está para cristianismo de Cristo. Tanto as altas finanças modernas quanto a Cientologia usam a linguagem e instrumentos da ciência para fins que são religiosos, não científicos. Ambos atendem uma necessidade, um anseio que as antigas formas de religião e capitalismo não mais atendem. A necessidade de um poder misterioso maior do que nós, no qual possamos acreditar. Ele precisa ser poderoso - mas também deve ser misterioso. E o mistério vem desaparecendo do mundo cada vez mais rápido, desde Galileu.

Nós sabemos do que são feitas as estrelas e podemos computar seu curso pelos céus pelos próximos 10 mil anos. Nós podemos explicar as tempestades e inundações que antes eram evidência da ira de Deus. Mas à medida que o avanço da ciência removeu o mistério divino de grande parte da vida, o avanço do capitalismo de livre mercado o devolveu. Apenas a economia moderna pode atualmente fornecer forças que não entendemos. E precisamos disso em nossas vidas.

De Adam Smith até o presente se passaram pouco mais de 200 anos. O Islã, o cristianismo e as religiões do Oriente levaram muito mais tempo para cobrir territórios bem menores. Por que o capitalismo moderno acelerou repentinamente, de forma explosiva, sua disseminação nos últimos 30 anos?

Para um sistema substituir sem derramamento de sangue outro sistema entrincheirado, o novo deve oferecer alguma melhoria significativa. E deve oferecê-la a todos. A religião de Abraão e Moisés não explodiu pelo mundo até que Paulo decidiu tornar a versão do judaísmo pregada por Jesus aberta a todos, independente de seu nascimento. Da mesma forma, o capitalismo à moda antiga era incapaz de se tornar uma religião universal, porque não oferecia esperança de salvação para todos. Apenas aqueles nascidos em uma elite de proprietários de terras e donos de capital podiam ter acesso ao capital. Mas o recente aumento do capital de risco abriu o capitalismo a todos e finalmente o tornou uma religião potencialmente universal.

Apenas mais uma mudança era necessária, e ela veio em 1971. Pois enquanto o dinheiro precisava ser apoiado pelo ouro, a economia estava enraizada no mundo material (da mesma forma que o cristianismo era apenas uma filosofia interessante enquanto Cristo estava vivo). O abandono do padrão ouro foi a crucificação e ressurreição do capitalismo; o evento traumático e libertador que permitiu ao capitalismo ser puramente religioso e totalmente movido pela fé. E como todas as religiões, assim que seu elo com o mundo físico foi partido, o capitalismo de livre mercado lamentou brevemente, então experimentou um aumento de energia e expansão.

Em uma explosão dos mercados de crédito, gastos geradores de déficit e dinheiro baseado em fé, ele subjugou os soviéticos e chineses e sacudiu as sociedades islâmicas até suas raízes. Ele se expandiu mais longe e mais depressa que o Islã após a morte de Maomé. O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial enviaram seus missionários para cada país. E sua língua agora substituiu o latim como língua universal, falada por uma casta sacerdotal sombria, vestida de preto, mas expressa sem o entendimento das pessoas comuns.

As pessoas precisam disso, elas anseiam por mistérios, um sacerdócio, xamãs em contato com grandes forças. E as altas finanças modernas, como o latim da igreja cristã, têm mistérios profundos em seu âmago. Nem mesmo banqueiros sabem o que uma obrigação de débito colateralizada ao cubo realmente é.

Enquanto antes o mistério essencial estava contido na frase "fiat lux" - que haja luz - ele agora está contido na frase "fiat money" (moeda fiduciária). O dinheiro, essa coisa sem peso, esse espírito que está em toda parte e em lugar nenhum: este nada em tudo, é o Espírito Santo do capitalismo. E seu toque pode transformar você nesta vida, dando a ele uma grande vantagem sobre religiões anteriores, que oferecem apenas consolo na próxima. Um banco com uma base de capital de US$ 10 bilhões pode emprestar US$ 100 bilhões. Mas com esse dinheiro, as pessoas constroem casas reais, dirigem carros reais, comem pão real e bebem vinho real. Este não é um ato de criação? Não é um mistério digno de Deus?

Um banqueiro pode fazer um empréstimo de US$ 1 bilhão para uma empresa de mineração. Este dinheiro baseado em fé, apoiado por nada, transferido eletronicamente, é usado para transformar colinas em buracos. A mineradora envia o minério resultante para todo o mundo. Nós vivemos na primeira era em que a fé pode literalmente mover montanhas.

Os críticos do capitalismo de consumo se desesperam diante da tolice das massas, que compram o que querem embalado como se fosse o que precisam. Mas este é um entendimento equivocado da transação. Nós rezamos com nosso dinheiro, que é apoiado por nada a não ser fé, e um milagre acontece - nossas cestas se enchem de bens, muito mais coisas do que poderíamos produzir ou cultivar nós mesmos. Em todas as outras religiões, você vai ao templo e dá aos guardiões alimentos que você cultivou com dificuldade. Sob esta nova religião melhorada, o templo dá alimento a você. O que acontece, toda vez que realizamos compras, é um milagre semelhante ao dos pães e peixes

Muitos falam sobre as desigualdades do capitalismo moderno. Mas a verdade é mais sutil e estranha. O cristianismo antes pregava a igualdade do homem, mas não conseguiu encontrar um modo de tornar real a visão. O comunismo tentou e fracassou em impor a igualdade a nós. Mas apenas nosso capitalismo moderno, excitável, baseado na fé, conseguiu este grau de uniformidade e igualdade. A Ikea, com suas cadeiras de US$ 10, está proporcionando não apenas o céu cristão, mas também o comunista: todos iguais, sentados nas mesmas cadeiras, iluminados pelos mesmos abajures, em todo o mundo.

*Julian Gough conquistou o prêmio BBC National Short Story em 2007.

Tradução: George El Khouri Andolfato

quarta-feira, 2 de julho de 2008

300, O filme.

300, O Filme.
Túlio Vilela.
A verdadeira história dos 300 de Esparta.
A famosa batalha de Termópilas que serviu de inspiração para a historia em quadrinhos e o filme "Os 300 de Esparta" foi uma das várias travadas entre gregos e persas durante as chamadas Guerras Médicas. A razão desse nome é que os persas eram chamados genericamente pelos gregos de "medos".Na verdade, os medos eram um dos povos que viviam no Império persa: tanto persas quanto medos viviam a leste da Mesopotâmia, no grande planalto do Irã, os medos fixavam-se no norte desse planalto, enquanto os persas estavam fixados na parte sudeste, próxima ao golfo pérsico (inicialmente, os medos controlavam a região em que viviam, situação que se inverteu quando o persa Ciro tornou-se monarca dos dois povos).Essa série de conflitos também é conhecida pelos nomes de Guerras Greco-Persas ou Greco-Pérsicas. A principal razão dessas guerras foi o expansionismo persa. Durante a segunda metade do século 6 a.C. e o início do século 5 a.C., os persas conquistaram todo o território da Ásia Menor até o vale do rio Indo e também o Egito. Ao dominarem a Ásia Menor, os persas oprimiram as colônias gregas na região.
Sob o domínio persa.
Os povos conquistados pelos persas eram obrigados a pagar impostos pesados, a construir estradas e palácios reais e a fornecer soldados para as tropas do rei persa. Por causa dessa situação, as colônias gregas na Ásia Menor se uniram numa revolta liderada pela cidade de Mileto, que ajuda Atenas. O Império Persa sufocou a revolta, destruiu Mileto e escravizou os habitantes da cidade.O então rei da Pérsia, Dario 1º, aproveitou a situação para declarar guerra a Atenas e invadir as cidades gregas, dando início à primeira Guerra Médica. Sob a liderança de Milcíades, Atenas saiu vitoriosa da guerra após a batalha de Maratona (490 a.C.).
A segunda Guerra Médica.
A derrota enfraqueceu o Império Persa, que só teve condições de enfrentar os gregos novamente em 480 a.C., quando teve início a segunda Guerra Médica. O sucessor de Dario 1º, o rei Xerxes ordenou uma nova invasão à Grécia.O expansionismo persa era uma ameaça tanto à independência das cidades-Estado gregas quanto um obstáculo aos interesses dos comerciantes gregos na região do mar Egeu. O exército de Xerxes era praticamente uma "legião estrangeira", era formado por soldados de quase todas as nações conquistadas pelo Império Persa: assírios, egípcios, babilônios, colonos gregos que viviam na Ásia Menor e muitos outros.Podia ser um exército numeroso, mas estava longe de ser um exército motivado. Havia muito ressentimento das nações conquistadas em relação aos seus conquistadores. Conquistar a Grécia interessava a Xerxes, mas não aos soldados estrangeiros que foram obrigados a lutar no exército persa.As cidades gregas formaram uma aliança e enviaram pequenos contingentes para lutar contra os persas. A cidade grega de Esparta enviou um grupo de trezentos homens liderados pelo rei Leônidas. Esse grupo e contingentes enviados pelas cidades aliadas posicionaram-se na estreita passagem do desfiladeiro das Termópilas, bloqueando o caminho.
Heróica resistência de Leônidas.
O número de soldados persas era muitíssimo superior ao número de soldados liderados por Leônidas (mesmo contando os contingentes das cidades aliadas). Percebendo isso, Xerxes enviou mensageiros ao rei Leônidas propondo que os espartanos e seus aliados se rendessem e entregassem as armas. Segundo a tradição, a mensagem de Xerxes foi: "Rende-te e entrega tuas armas!" A resposta de Leônidas teria sido: "Vem buscá-las!"Um dos mensageiros de Xerxes teria tentado amedrontar os gregos falando da superioridade numérica dos persas. Esse mensageiro teria dito que havia tantos arqueiros e lanceiros no exército persa que quando eles disparassem suas flechas e lanças elas iriam "cobrir o Sol". Comentário que teria recebido a seguinte resposta do rei espartano: "Melhor, combateremos à sombra".Apesar da inferioridade numérica, os espartanos e seus aliados ofereceram uma dura resistência aos persas. A inferioridade numérica era compensada pela motivação: enquanto espartanos e aliados estavam defendendo suas cidades, lutando contra invasores, os comandantes persas recorriam a chicotes para obrigar suas tropas desmotivadas lutarem. Assim, inicialmente, os gregos estavam conseguindo repelir todos os ataques dos persas.No entanto, um traidor chamado Efialtes traiu Leônidas e ajudou Xerxes a encontrar um outro caminho no desfiladeiro das Termópilas. Assim, o traidor guiou os persas durante a noite através das montanhas. Desse modo, os persas surpreenderam os espartanos e seus aliados pela retaguarda. Ao ver seu exército cercado pelo inimigo, Leônidas ordenou que todos os homens sob seu comando, exceto os trezentos guerreiros de Esparta, batessem em retirada. A maioria obedeceu à ordem. Os contingentes formados pelos habitantes das cidades gregas de Téspias e Tebas preferiram permanecer resistindo ao lado dos espartanos. Esses dois contingentes juntos somavam cerca de mil homens. Leônidas e seus homens resistiram corajosamente, mas acabaram mortos na batalha desigual.
Uma vitória cara demais para os persas.
Apesar de sair vitorioso da batalha das Termópilas, o exército persa sofreu muitas baixas que o enfraqueceram. A vitória na batalha custou caro para os persas. Com a resistência oferecida por Leônidas e seus homens, os gregos ganharam tempo. Os atenienses puderam abandonar sua cidade antes que os invasores persas chegassem.As mulheres, idosos, crianças e escravos que viviam em Atenas puderam ser transferidos a tempo para a ilha vizinha de Salamina. Quando chegaram em Atenas, os persas queimaram e destruíram a cidade. Mas acabaram sendo derrotados pelos atenienses na batalha naval de Salamina. Após essa derrota, Xerxes fugiu de volta para Pérsia, onde mais tarde morreu assassinado.Com a derrota persa na batalha de Salamina, o traidor Efialtes jamais recebeu a recompensa que esperava receber de Xerxes. A cabeça de Efialtes foi colocada a prêmio. Por isso, ele fugiu para a Trácia, mas morreu assassinado no ano seguinte.A principal fonte a respeito da batalha das Termópilas é o relato do historiador grego Heródoto. Entretanto, esse relato contém exageros que foram reproduzidos em praticamente quase todas as recriações do episódio (inclusive nos filmes e histórias em quadrinhos). Segundo Heródoto, durante a batalha, o exército persa contava com milhões de soldados. Estimativas mais realistas sugerem que o número de guerreiros persas na batalha não passava de 250 mil. Os espartanos e seus aliados somavam mais ou menos sete mil homens.Também não é verdade que no final os trezentos espartanos tiveram que enfrentar sozinhos os persas: cerca de mil soldados (téspios e tebanos) também resistiram bravamente contra os persas, permanecendo ao lado dos espartanos até o fim. Exageros à parte, durante a batalha das Termópilas, os espartanos e seus aliados estavam em número muito inferior aos persas, o que não impediu que oferecessem corajosa resistência. Por isso, a história dos homens liderados por Leônidas durante a batalha das Termópilas virou sinônimo de resistência heróica contra um inimigo mais poderoso.
Hollywood e política.
A História de Leônidas e seus 300 guerreiros de Esparta virou tema de dois filmes de Hollywod. O primeiro foi "300 de Esparta" ("300 Spartans"), produzido em 1962 e dirigido por Rudolph Mate. O sugundo foi o "300", dirigido por Zack Snyder, adaptação cinematográfica da história em quadrinhos "Os 300 de Esparta", escrita e desenhada por Frank Miller.Nas duas versões cinematográficas, críticos enxergaram analogias com o contexto político da época em que cada filme foi lançado. Segundo muitos críticos, o filme produzido em 1962 é uma propaganda política típica dos tempos da Guerra Fria: os espartanos ao lutarem "pela liberdade" representariam os Estados Unidos, enquanto o Império persa por ser um grande Estado opressor estaria representando a União Soviética.Quanto ao filme que estréia em 2007, alguns críticos já apontaram uma analogia com a "guerra contra o terror", promovida pelo presidente norte-americano George W. Bush, pois a antiga Pérsia, corresponderia mais ou menos em sua localização ao atual Irã, um dos países que compõem o que Bush denominou de o "Eixo do Mal". Nesse caso, não passa de pura coincidência, pois a história em quadrinhos que serviu de base para o filme foi lançada em 1998, quando o então presidente dos Estados Unidos ainda era Bill Clinton e muito antes do atentado contra as torres gêmeas do World Trade Center.

Túlio Vilela, formado em história pela USP, é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Contexto).